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O Livro | Teatro Popular Mirandês

O Teatro Mirandês no GEFAC, Um dos trabalhos, no âmbito das nossas recolhas etnográficas, que consideramos mais relevantes prende-se com o tratamento e estudo do espólio resultante da recolha de peças de Teatro Popular Mirandês (TPM).

Este tipo de manifestação etnográfica tem características únicas e muito interessantes que se assemelham muito ao antigo teatro ritual. O texto assume um papel preponderante dado que os actores, em muitos casos, quase que se limitavam a “recitar” a sua parte, parados em cena, sendo a movimentação mínima. As representações, chamadas usualmente “colóquios”, decorriam em ambiente vicinal com um público “familiar”, na própria aldeia ou nas aldeias vizinhas e faziam apelo, muitas vezes, às vivências das pessoas, aos usos e costumes de cada localidade.

Do espólio recolhido fazem parte, ao todo, 35 textos (chamados cascos), dos quais 22 são de carácter profano e os restantes 13 de carácter religioso. Acrescente-se ainda algumas recolhas sonoras de conversas tidas com informadores que achamos particularmente valiosas, dado o seu cariz único no panorama do teatro popular.

Por considerarmos que este material poderá ser de grande interesse, não só para especialistas ou estudantes de teatro, antropologia, etc, mas também para todos aqueles que se interessam pelas questões relacionadas com o património cultural português, publicámos todos os textos recolhidos, algumas reflexões sobre TPM e assuntos relacionados.

Além disso, também nos parece que existe hoje em dia, da parte das entidades oficiais, uma maior sensibilidade para este tipo de questões. De facto, para fazer frente à homogeneização cultural infundida por uma certa disseminação cultural massiva, há que afirmar aquilo que se considera a cultura vernacular.

Por tudo isto, e principalmente pela grande motivação de todos os sócios do GEFAC, foram reunidas todas as condições para que a obra fosse publicada.

Historial do processo

Na década de setenta, o GEFAC apresentou uma proposta de recolha de peças de TPM que foi financiada, sobretudo, pela Fundação Calouste Gulbenkian. Nessa altura, foram efectuadas várias deslocações a Trás-os-Montes com o intuito não só de recolher os textos que serviam de suporte às peças, mas também de perceber o ambiente (social, cultural, etc) em que os “colóquios” decorriam.

Como resultado desse trabalho, o GEFAC recolheu 35 textos dramáticos, alguns deles inéditos, e efectuou um pequeno estudo sobre TPM.

Posteriormente, já durante os anos oitenta, esta recolha foi alvo de uma tentativa de publicação, em volume único, que falhou por motivos vários, alguns dos quais totalmente alheios ao GEFAC. A título de exemplo, refira-se que uma das causas que impediu que o livro fosse publicado foi a quantidade de erros de tipografia.

Entretanto, a maioria das pessoas que esteve ligada ao processo da recolha abandonaram o grupo. Note-se que o GEFAC, como grupo académico que é, tem sempre uma “população flutuante” muito grande o que impede, muitas vezes, a concretização de projectos que se prolonguem no tempo.

Desde o início dos anos noventa, tem havido sempre uma preocupação das diversas gerações de sócios do grupo de concretizar o projecto. Ora, essa tarefa não foi nada fácil e, para o ajudar nessa tarefa, o grupo recorreu, várias vezes ao auxílio de especialistas. No entanto, existiram sempre problemas relacionados, sobretudo, com as diferentes formas de trabalhar. Por um lado, um grupo amador com boa vontade, mas com pessoas a trabalhar apenas nos tempos livres, por outro, a visão de um especialista que pretende trabalhar, como normalmente trabalha, a nível académico.

Uma vez que o processo se vinha arrastando no tempo, o grupo pensou, há alguns anos, publicar, pelo menos, as peças que já representou. Assim sendo, foram publicadas duas brochura/programa relativas às peças “A Vida Alegre do Brioso João Soldado” (Março de 2000) e “O Entremez de Jacobino” (Março de 2002), que o grupo divulga nos locais das suas actuações.

A publicação destas brochuras foi a causa da crescente motivação dos sócios do GEFAC para retomar todo o processo que culminou com a publicação da obra que agora se apresenta.

Apoios

Os apoios solicitados são de dois níveis: apoios científicos e apoios económicos.

Quanto aos primeiros, temos a agradecer a:

Prof. Doutor João Maria André (Docente de Filosofia – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; Director do Teatro Académico de Gil Vicente)
Prof. Doutor José Oliveira Barata (Docente de Estudos Teatrais – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Prof. Doutor Paulo Raposo (Docente de Antropologia Social- Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Lisboa )
Profª. Doutora Ofélia Milheiro Caldas Paiva Monteiro (Professora Catedrática aposentada – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
todos os intervenientes na recolha

Quanto aos apoios económicos, temos a agradecer a:

Câmara Municipal de Coimbra
Fundação Calouste Gulbenkian
Governo Civil de Bragança
Governo Civil de Coimbra
INATEL
Instituto Português da Juventude
Ministério da Cultura
Região de Turismo do Nordeste Transmontano
Reitoria da Universidade de Coimbra

 

Disponível na Livraria Almedina – mais informações em www.almedina.net

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