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XIII Jornadas de Cultura Popular

Ao Encontro de Ernesto Veiga de Oliveira

6 de Maio a 10 de Junho de 2010

Em 2010 comemora-se o centenário do nascimento de Ernesto Veiga de Oliveira, e cumprem-se 20 anos desde a sua morte. Tendo em vista essa efeméride, o GEFAC decidiu, pois, protelar a organização das XIII Jornadas de Cultura Popular a fim de, nesse ano, dedicar, finalmente, a esse grande Mestre da etnologia portuguesa, e nosso estimado sócio honoris causa, uma justa homenagem.
Assim, as XIII Jornadas serão, na verdade, uma comemoração: uma oportunidade para recordar, e para recordar em companhia. Para evocar Ernesto Veiga de Oliveira, a sua vida e a sua obra, e para exaltar a relevância de ambas para a cultura nacional. Mas também para reunir discípulos vários, discípulos gratos, discípulos que se tornaram mestres, discípulos próximos e distantes como nós, sócios do GEFAC, que queremos ainda convidar outros, insuspeitos, a tornar-se a discípulos também. As XIII Jornadas assumirão, pois, como qualquer aniversário, o aspecto de um pretexto: um pretexto para um encontro entre todos nós e uma personalidade única e uma obra ímpar, mas acima de tudo um pretexto para ir ao encontro de Ernesto Veiga de Oliveira.
Mas como começar a homenagear Ernesto Veiga de Oliveira? Que temas eleger, que textos, que legado? A obra é tão vasta, que não pudemos deixar de assumir, desde o início, pouco mais do que uma intenção modesta de homenagear Ernesto Veiga de Oliveira por esse aspecto da sua obra que é a vontade e ânimo que nos dá de ir, de procurar, de crescer de dentro para fora de nós e da nossa cultura, de nos empenharmos activamente em encontrar e reencontrar. Assim, a nossa homenagem modesta é sobretudo este ir ao encontro de Ernesto Veiga de Oliveira, mais do que evocar em toda a extensão a sua vasta obra, ou a importância de um legado, como algo desabitado ou estático. Como diria Lima de Carvalho, “Ernesto Veiga de Oliveira não sumiu do que criou. O seu e nosso problema não é esse – o que de facto, nos tem feito, progressivamente, crescer em dois sentidos: para o interior da obra e de nós próprios e para o exterior, sem fronteiras ou com limites que coincidem com as bermas da Humanidade. Isso, só por si, já é outra obra e, às vezes, um espectáculo de encontros e desencontros surpreendente…”.

O Programa das Jornadas compreende, tradicionalmente, uma vertente mais voltada para a exposição e debate de temas e ideias, e outra, que é a vertente de programação de espectáculos. Esta edição das XIII Jornadas não é excepção, ainda que o programa contenha particularidades, associadas ao objectivo de chamar à obra de Ernesto Veiga de Oliveira entidades e pessoas cuja área de “especialização” (científica, ou artística) não é, tipicamente, a da cultura tradicional portuguesa.

PROGRAMA
Conversas

Foyer do TAGV

6 a 27 de Maio, 18.00: Ciclo de conversas Encontros a Pretexto

Casa Municipal da Cultura

4 e 5 de Junho: “Para que distância, movimento?”, Colóquio em homenagem a Ernesto Veiga de Oliveira

5 de Junho: Ante-estreia do documentário “Pelos Trilhos do Andarilho”, pelo GEFAC

 

Exposições

Galeria do Departamento de Antropologia, Universidade de Coimbra

24 a 28 de Maio: Exposição Viver Assim

 

Espectáculos

Oficina Municipal de Teatro

3 de Junho, 21.45: Espectáculo de Teatro-Dança “Void“, de Clara Andermatt

A ligação a Cabo Verde é o ponto de partida para a criação de um espectáculo que, terá como pano de fundo o encontro de culturas. Uma peça sobre pessoas, feita de experiências e de saudade. Inspirada, nas tristezas, nas dificuldades, nos benefícios e numa década de crescimento de dois cabo-verdianos em Portugal. A coreógrafa chamou colaboradores com quem partilha um historial de produções anteriores para desenvolver um universo coreográfico, teatral e musical muito pessoal, que nasce do diálogo real e constante de duas culturas no dia-a-dia de Lisboa.

Teatro Paulo Quintela

7 de Junho, 21.30: Concerto musical “Viajar nos sons da memória” com o Trio Pedro Caldeira Cabral

Repúblicas de Coimbra

8 a 10 de Junho, a partir das 21h: GEFAC e Madalena Victorino apresentam “JÁK-HÁ-VYNHAS

Acontecimento sonoro,  paisagem atravessada de poesia que se rompe  nas tuas mãos.  Numa sala inteligente, as chaves do mundo. A procura num mesmo tempo de um naufrágio junto à foz  e de uma tradição em desalinho. Sorrisos desfocados à tua espera nas comunidades  singulares de Coimbra.   
Vem ouvir os outros.
Vem deitar-te com eles.
Vem comer bife sem bife nem cebolada.
Vem dançar num canto de delícias.
Vem treinar para não esquecer.

Um percurso nocturno acompanhado de gansos e galinhas pelas Repúblicas Bota-Abaixo (dia 8 de Junho), Rás-Teparta (dia 9 de Junho) e Prá-Kys-Tão (dia 10 de Junho). Always keep on going, sessões a partir das 21h, nas Repúblicas.

Madalena Victorino
Madalena Victorino é uma coreógrafa de grande destaque e que ocupa um lugar único no panorama cultural português. Ao longo dos anos, tem trabalhado nas áreas da coreografia, da pedagogia da dança, das artes na comunidade e na educação assim como das relações entre o teatro e a dança. Tem coreografado extensivamente para lugares não convencionais, como fábricas, museus, parques de estacionamento, florestas, ruas, etc., com actores, bailarinos, cantores e pessoas não profissionais nas artes performativas. Pela sua enorme experiência, o seu contributo é fundamental para a concretização deste projecto na medida em que poderá inspirar novas interpretações da cultura tradicional portuguesa e viabilizar as ligações que pretendemos estabelecer entre “ritmos” aparentemente tão diversos entre si como o são o ritmo da tradição, da urbanidade, do futuro e o da memória.

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