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Viver Assim

 

O que é viver numa República de Coimbra hoje? Qual o seu papel no momento atual? Quem são os repúblicos? De onde vêm? Será que uma República hoje corresponde à imagem de irreverência e boémia que se construiu dessas casas tão particulares? Mantém-se a organização comunitária e a amizade solidária de outros tempos ou, pelo contrário, as Repúblicas estão a perder a identidade e a descaracterizar-se?

24 a 28 de Maio, Galeria do Departamento de Antropologia, Universidade de Coimbra

Dada a relevância que assume a continuidade das Repúblicas de Coimbra e como forma de destaque das mesmas o GEFAC encontra-se a desenvolver um projecto que se debruça sobre estas casas. É neste âmbito que surge a iniciativa da exposição “Viver Assim”.

O que é viver numa República de Coimbra hoje? Qual o seu papel no momento actual? Quem são os repúblicos? De onde vêm? Será que uma República hoje corresponde à imagem de irreverência e boémia que se construiu dessas casas tão particulares? Mantém-se a organização comunitária e a amizade solidária de outros tempos ou, pelo contrário, as Repúblicas estão a perder a identidade e a descaracterizar-se?

Repúblicas de Coimbra
As Repúblicas são organizações sem fins lucrativos que se destinam a albergar estudantes do ensino superior, que aqui habitam em ambiente de auto-gestão e partilha mútua. Segundo alguns autores, o seu nome deriva da simpatia pelos ideais republicanos. No entanto é provável que «República» apenas fizesse eco da expressão latina equivalente a «coisa pública».

Independentemente disso, e atestando o carácter irreverente destes espaços, o certo é que a designação de «República» existiu ainda durante a vigência do regime monárquico, e que a expressão «Real República», também ela comum, se manteve após o 5 de Outubro de 1910. Durante os anos sessenta, as repúblicas tiveram um papel importante na formação política de uma geração em ruptura com o Estado Novo, funcionando como autênticas «ilhas de liberdade».

Actualmente existem em Coimbra mais de duas dezenas de casas comunitárias com estas características. Numa comunidade como a estudantil, dotada de constante fluidez, as Repúblicas conseguem preservar de maneira muito particular a memória, através, por exemplo, dos centenários, que servem ainda hoje para manter a ligação entre as gerações passadas e presentes. Assim sendo, a componente gregária e a forte ligação ao imaginário estudantil mantêm-se como características fundamentais destes espaços. Uma das suas mais antigas tradições relaciona-se com o lema «Um ano vale por cem», e por isso todos os anos cada República celebra o seu «centenário». Os repúblicos são, em regra, oriundos de vários pontos do país ou do estrangeiro, o que promove um ambiente único de originalidade, irreverência e respeito mútuo.
Deste modo, pela mão dos jovens homens e mulheres que as habitaram, as Repúblicas foram construindo as suas histórias e as suas casas, reunindo testemunhos, inscritos pelas paredes, objectos, pinturas, cheiros, momentos, histórias, ideais, mundividências, que lhes conferem aquela sólida identidade.

Pelo seu cariz comunitário, pelas ideologias, pela responsabilidade cultural que acabam por ter e no modo como esta se altera, as Repúblicas de Coimbra assumem um peso forte no património da nossa cidade académica. Mas como é que, afinal, se vive numa República hoje em dia? É a perguntas como esta que o GEFAC pretende responder com este trabalho.

A sessão de abertura para a apresentação desta exposição está marcada para dia 24 de Maio, às 18 horas, na Galeria do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. Como convidados teremos Dr. Pio de Abreu, antigo repúblico da República Palácio da Loucura, e Sophia de Carvalho, actual república da República Bota-Abaixo, para uma conversa em que o contraste entre o antigamente e o hoje será, certamente, um bom ponto de partida.

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