Povo devoto e humilde Sossegai um pouco o vosso coração Para ouvir os prodígios da nossa obra Prestai-nos agora a vossa atenção.
Eu estou encombido Para dizer onde este caso se deu Era duma velha louca Da cidade de Viseu.
Eu como vivia ali perto Em Canas de Senhorim Presenciei este caso todo Do princípio até ao fim.
Para eu nada mentir Como estes casos se dão A primeira figura a sair É um criado louco, Setentrião.
Sairá Idalina e Faviana Ambas dele a zombar Em seguida D. Arnaldo Com as filhas e com ele a ralhar.
Arrecolhem-se estas figuras […] volta a sair o Setentrião […] seguida a tia Lucrécia com uma vassoura na mão.
Recolhem-se estas figuras Sai Lusbel razões apresentar Tratando de quatro mancebos Para suas almas caçar.
Sairá D. Arnaldo e Setentrião Vem ali com alegrias Que há-de esperar naquele sítio Por seu primo D. Tovias.
Sairá Setentrião em seguida Com sua gaitarra na mão Aparece D. Tovias falar com ele E este não lhe dá conclusão.
D. Tovias pergunta segunda vez Setentrião continua a tocar Tovias pega-lhe com a bengala Até pontos de o matar.
Recolhem-se estas figuras Sem dar suas conclusões Sairá Aníbal e Viriato Fazendo-se grandes valentões.
Estes ao ver um bichino Ali no meio do tavuado Caíram logo de susto Cada um para seu lado.
Com Aníbal e Viriato Lusbel os vem aconselhar Que vão matar seu rivais Que é Tovias e Baltazar.
Recolhem-se e sai a Tia Lucrécia Com uma cana na mão Vem muito liberal A falar ao Setentrião.
Recolhe-se o Setentrião Lucrécia logo atrás dele Aparece logo em seguida O profeta Daniel.
Vem dizer a D. Arnaldo O que se vai a passar Que quatro mancebos em sua casa Se viram ali a matar.
Recolhe-se o profeta e D. Arnaldo Sem mais uma palavra dar Aparece a escrever uma carta D. Tovias e Baltazar.
Manda-lha para Idalina e Faviana Sem mais nada se deter Em seguida as duas damas Essa dita carta a ler.
Quando estavam lendo a carta Vem Tovias e Baltazar A conversar com as damas Para seu casamento tratar.
Virá Aníbal e Viriato Pelas damas procurar Grande rancor colheram Ao ver Tovias e Baltazar.
Estes desafiam a um duelo Sem mais nada demorar Aparece D. Arnaldo em seguida Estas penas a lamentar.
Pede socorro aos céus O qual um anjo lhe apareceu Para ressurgir os finados Grandes glórias lhe deu.
Sairá Lusbel furioso Estas almas agarrar Um anjo as vem a librar E não as deixa levar.
Recolhem-se todos os mancebos Sai D. Arnaldo e Setentrião E resolveram matar um carneiro Para fazer uma função.
Virá Idalina e Faviana O carneiro a conduzir Deitou-se às marradas ao Setentrião E ele grita logo a fugir.
Lusbel volta a sair Com grande desasperação Por não levar os quatros mancebos E mete-los no caldeirão.
Virá Vitoriano com uma estátua Em cima dum jumento a fugir Sem ninguém nada lhe dever Uma dívida a pedir.
Esta saiu-lhe errada D. Arnaldo não se calou O amo voltou com o burro Mas a estátua lá ficou.
Aqui demos fim ao caso Sem mais nada discutir Prestai toda atenção Que as figuras vão sair.
Dos erros que eu cometi Disto vir anunciar Todos os senhores e senhoras Não têm senão desculpar.
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A Tia Lucrécia
Povo devoto e humilde
Sossegai um pouco o vosso coração
Para ouvir os prodígios da nossa obra
Prestai-nos agora a vossa atenção.
Eu estou encombido
Para dizer onde este caso se deu
Era duma velha louca
Da cidade de Viseu.
Eu como vivia ali perto
Em Canas de Senhorim
Presenciei este caso todo
Do princípio até ao fim.
Para eu nada mentir
Como estes casos se dão
A primeira figura a sair
É um criado louco, Setentrião.
Sairá Idalina e Faviana
Ambas dele a zombar
Em seguida D. Arnaldo
Com as filhas e com ele a ralhar.
Arrecolhem-se estas figuras
[…] volta a sair o Setentrião
[…] seguida a tia Lucrécia
com uma vassoura na mão.
Recolhem-se estas figuras
Sai Lusbel razões apresentar
Tratando de quatro mancebos
Para suas almas caçar.
Sairá D. Arnaldo e Setentrião
Vem ali com alegrias
Que há-de esperar naquele sítio
Por seu primo D. Tovias.
Sairá Setentrião em seguida
Com sua gaitarra na mão
Aparece D. Tovias falar com ele
E este não lhe dá conclusão.
D. Tovias pergunta segunda vez
Setentrião continua a tocar
Tovias pega-lhe com a bengala
Até pontos de o matar.
Recolhem-se estas figuras
Sem dar suas conclusões
Sairá Aníbal e Viriato
Fazendo-se grandes valentões.
Estes ao ver um bichino
Ali no meio do tavuado
Caíram logo de susto
Cada um para seu lado.
Com Aníbal e Viriato
Lusbel os vem aconselhar
Que vão matar seu rivais
Que é Tovias e Baltazar.
Recolhem-se e sai a Tia Lucrécia
Com uma cana na mão
Vem muito liberal
A falar ao Setentrião.
Recolhe-se o Setentrião
Lucrécia logo atrás dele
Aparece logo em seguida
O profeta Daniel.
Vem dizer a D. Arnaldo
O que se vai a passar
Que quatro mancebos em sua casa
Se viram ali a matar.
Recolhe-se o profeta e D. Arnaldo
Sem mais uma palavra dar
Aparece a escrever uma carta
D. Tovias e Baltazar.
Manda-lha para Idalina e Faviana
Sem mais nada se deter
Em seguida as duas damas
Essa dita carta a ler.
Quando estavam lendo a carta
Vem Tovias e Baltazar
A conversar com as damas
Para seu casamento tratar.
Virá Aníbal e Viriato
Pelas damas procurar
Grande rancor colheram
Ao ver Tovias e Baltazar.
Estes desafiam a um duelo
Sem mais nada demorar
Aparece D. Arnaldo em seguida
Estas penas a lamentar.
Pede socorro aos céus
O qual um anjo lhe apareceu
Para ressurgir os finados
Grandes glórias lhe deu.
Sairá Lusbel furioso
Estas almas agarrar
Um anjo as vem a librar
E não as deixa levar.
Recolhem-se todos os mancebos
Sai D. Arnaldo e Setentrião
E resolveram matar um carneiro
Para fazer uma função.
Virá Idalina e Faviana
O carneiro a conduzir
Deitou-se às marradas ao Setentrião
E ele grita logo a fugir.
Lusbel volta a sair
Com grande desasperação
Por não levar os quatros mancebos
E mete-los no caldeirão.
Virá Vitoriano com uma estátua
Em cima dum jumento a fugir
Sem ninguém nada lhe dever
Uma dívida a pedir.
Esta saiu-lhe errada
D. Arnaldo não se calou
O amo voltou com o burro
Mas a estátua lá ficou.
Aqui demos fim ao caso
Sem mais nada discutir
Prestai toda atenção
Que as figuras vão sair.
Dos erros que eu cometi
Disto vir anunciar
Todos os senhores e senhoras
Não têm senão desculpar.
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