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IX Jornadas de Cultura Popular

Os Povos e a Música

17 de Outubro a 14 de Novembro de 1997

PROGRAMA

Exposições

Galerias do Chiado

17 a 31 de Outubro de 1997: Exposição de Instrumentos Tradicionais de três continentes (África, Europa e América) em colaboração com o Museu de Etnologia de Lisboa.

“Em todos os tempos e em todos lugares o homem sempre mostrou grande engenhosidade ao fazer nascer o som e a música a partir de materiais existentes no seu ambiente natural. … A voz e o bater das palmas podem certamente considerar-se as primeiras formas instrumentais usadas pelo homem, desde os tempos mais remotos, e que se encontram em muitas sociedades. Além dessas formas naturais, porém, desenvolveram-se através dos milénios instrumentos musicais mais ou menos bem elaborados, com os materiais que o ambiente natural fornece, e conforme a evolução técnica dos diferentes povos. As influências de outras culturas são aproveitadas e os instrumentos difundidos sofrem transformações dependentes das possibilidades e condições locais…”

Margot Dias

Essa procura, em paralelo com as capacidades de modulação da voz e de percussão do corpo, tem levado ao aperfeiçoamento de objectos sonoros. Uma cana de bambu, uma pele ou uma corda esticada, criaram os primeiros instrumentos musicais. O seu uso teve um papel de tal maneira importante na história das civilizações que a sua invenção tem sido, em várias culturas atribuída aos deuses. Objectos de mitos e também de rituais o seu som representa a voz dos antepassados. Mas é também através deles que os homens encontram um meio de mostrar a sua alegria e a sua tristeza, o seu amor e o seu ódio. Eles são testemunhos não só de usos e crenças e dos símbolos aos quais estão associados, mas também dos feitos históricos, dos universos culturais e das invenções tecnológicas. E como objectos de arte, da época e do meio social onde são produzidos. Por isso, conhecermos de perto estes objectos éconhecermos também um pouco a história do nosso povo, das regiões onde habita, dos seus hábitos de festa, de religião, de trabalho, da diversidade das suas formas culturais e artísticas já que os instrumentos musicais são, com nos diz Alessandro Sistri:

“… Documentos complexos que nos ajudam a conhecer diferentes aspectos da cultura a que pertencem, por serem objectos síntese do sistema expressivo sonoro-musical e do sistema simbólico-material, em que as funções sonora, simbólica e estética interagem as componentes decorativas, iconográficas e plásticas dão sentido mágico ao instrumento…”
 

Concertos

Praça 8 de Maio

26 de Outubro de 1997, 21.45: Brigada Victor Jara (Portugal) + GEFAC (Portugal)

Brigada Victor Jara

Numa pausa do trabalho de abertura de uma estrada para os lados da Lousã, o acaso de uma “viola” e um coro de meia dúzia de vozes terá feito nascer a Brigada Victor Jara. Brigada por que o era, de facto, de trabalho e de cantigas. Victor Jara pelo combate, acarinhado e sentado num camião do MFA a caminho de uma aldeia beirã.

No início o canto era “de intervenção”, em versões de cantigas de José Afonso, Sérgio Godinho, Victor Jara, Quilapayum. O primeiro contacto com a Música Tradicional (ou Regional?, ou Popular?) teve-a no GEFAC (com quem, desde então e até hoje, partilha músicos), num ou noutro dos discos-de-capa-de-sarapilheira editados pelo Michel Giacometti, num ou noutro encontro com músicos ou cantadores populares.

Escrevia a Brigada na capa de Eito Fora (1977) não ignorar que “o folclore que sai do seu lugar próprio, que são os campos e as aldeias, e esquece o homem na relação diária com o trabalho campestre, corre o risco de não passar de um produto banal, uma mercadoria que faz as delícias dos turistas, avinhados ao ritmo dos ferrinhos e da concertina.” Ao mesmo tempo esclarecia não ser o seu trabalho de natureza etnomusicológica e homenageava “Michel Giacometti e alguns mais (poucos) que realizaram e realizam com saber e persistência esse labor tão apaixonante como ingrato”.

A Brigada Victor Jara nunca pretendeu desempenhar o papel de “preservador” da memória musical do seu povo, nem iniciou o seu trabalho com o fito de atender a modas (de resto já ía longa a sua vida quando o mercado da “world music” inaugorou a primeira prateleira de Cê Dês). Antes se foi ocupando a re-contar as melodias apreendidas, misturando-as com os sons das suas próprias vivências. Desigual, a sua discografia é o resultado de um longo processo em que diversos músicos, atravessando o grupo na sua trajectória, vão dizendo de sua justiça, com uma preocupação central (e essencial na arte popular) – a de contar um conto acrescentando-lhe um ponto.

GEFAC

As diversas manifestações da cultura popular constituem, por excelência, o momento em que um povo fala lealmente de si, o momento onde um povo se revela na sua maneira de ser própria. Enraizado nesta consciência, o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) é fundado como Organismo Autónomo da Associação Académica de Coimbra em 1996, tendo desenvolvido desde aí um exaustivo trabalho de recolha, tratamento e divulgação das manifestaçõees tradicionais. O GEFAC utiliza as manifestações populares numa perspectiva criativa, principalmente nos ajustamentos aos aspectos cénicos, que permitem produzir um espectáculo globalizante, não tanto empenhado em demarcar regiões, mas sim em acentuar o sentir que provocou a criação artística popular.

O actual espectáculo do grupo é mais um exemplo do tipo de espectáculos que se têm vindo a fazer ao longo de 30 anos de actividades. Realmente, neste esforço de divulgação, o GEFAC já apresentou cerca de 650 espectáculos, quer no país quer no estrangeiro, bem como várias gravações para algumas televisões europeias.

 

Auditório do Instituto Português da Juventude

28 de Outubro de 1997, 21.45: La Musgaña (Espanha) + Ian Karr / Karen Tweed (Inglaterra)

La Musgaña

Pensemos na música tradicional espanhola … dança, melodias, cantigas de amor, música de trabalho como as mondas e festas rurais, interpretada com os intrumentos tradicionais castelhanos – flauta de três buracos e tamboril, sanfona, gaitas de fole e muitos instrumentos de percurssão; agora juntemos-lhe algo de contemporâneo com a guitarra baixo e o clarinete. Este é o som dos La Musgaña. Alem de ter em conta os vocalismos, a expressão e todo o vigor da banda.

O trabalho deste grupo está assente num rigoroso trabalho de recolha do que há de melhor na música espanhola bem como dos instrumentos que a acompanham. Mas, concluído esse trabalho, é a sua paixão pela interpretação desses temas, a alegria e a força da sua actuação ao vivo, que fazem dos La Musgaña um grupo que tem cativado as audiências de todo o mundo e do seu espectáculo um acontecimento muito animado, divertido e muito estimulante.

La Musgaña toca não só em concertos como tambem realiza, com a mesma elevação, oficinas de trabalho para toda a gente, tanto crianças como adultos—ao longo dos anos têm feito muitos programas para trabalho nas escolas.

Ian Carr e Karen Tweed

Ian Carr e Karen Tweed, uma dupla muito aclamada pela crítica, arrecada agora mais um soberbo lançamento. À semelhança do seu elogiadíssimo álbum de estreia – SHHH, o lançamento de FYACE é mais uma excelente gravação da sua reconhecida e aclamada produção musical.

A criatividade desta produção resulta de uma combinação de elementos ingleses, irlandeses e contemporâneos, refinados pelo talento e requinte musical de Ian Carr e Karen Tweed. Desta forma, consegue-se absorver e impressionar audiências, não só do Reino Unido, mas do mundo inteiro. Os seus concertos, ao vivo e em estúdio, são ricos em influências internacionais. Resultado natural das viagens levadas a cabo, não só por ambos enquanto dupla, mas também por Ian com The Kathryn Tickell Trio e por Karen com The Poozies.

É um espectáculo no qual as reverentes interpretações de materiais tradicionais se equilibram com um arrojado experimentalismo de ritmos, permitindo que a abordagem alternativa e lírica que Ian Carr faz da guitarra acústica, se combine de tal forma, com a vivacidade das melodias tocadas no acordeão por Karen Tweed, que os incentiva a atingir auges inebriantes. A meio de um espectáculo, a atmosfera que se cria entre os dois é tal, que se fica com a sensação de termos caído, por acaso, dentro da sua sala de estar. O seu virtuosismo, se bem que, às vezes engraçado, às vezes bizarro, é óbvio. E o gozo e prazer que sentem é facilmente transmitido a todos aqueles que se encontram presentes.

Melodias de encantar e bordões em abundância, onde a música se torna ritmo, o ritmo torna-se harmonia e a harmonia desafia os clichés. Quer seja ao vivo, quer seja em disco, a sua forma de tocar vai deixá-lo de boca aberta de espanto e radiante de alegria!

13 de Novembro de 1997, 21.45: Justin Vali Group (Madagáscar)

Anos 90: Madagáscar era finalmente descoberta pelos apaixonados pela “World music”. Justin Vali afirmou-se como o embaixador mundial da música malgascarense actual. A sua personalidade e a sua dinâmica musical fazem dele o único a recolher e retranscrever todas as particularidades das músicas da ilha, combinando habilmente a complexidade das rítmicas africanas, das harmonias asiáticas e das estruturas orientais.

Madagáscar, ilha continente, é o reflexo vivo do cruzamento de raças, onde os registos e os instrumentos variam de região para para região. O VALIHA (pronuncia-se Vali), é o instrumento de cordas presente em toda a ilha, concebido a partir de diversos materiais como o bambu, a chapa de ferro fundido e a madeira, apresentando formas, funções e sonoridades múltiplas.

Justin Vali, nascido no seio de uma família de artesãos de instrumentos, é iniciado desde muito jovem na música. Depois, percorrendo a ilha, enriquece os seus conhecimentos musicais e adapta um repertório ilimitado: o clássico e o cerimonial, o tradicional e o moderno. Rapidamente, Justin desenvolve o seu próprio estilo e domina todas as técnicas do Valiha. A sua virtuosidade tanto se exprime através da sua voz penetrante, calorosa e vibrante, como através dos seus talentos de composição e arranjos refinados.

Em palco, a sua pequena figura concentra-se semi-cerrando os olhos. Todo o seu ser se funde com o instrumento do qual tira mil sonoridades com uma destreza fascinante. Acompanhado à guitarra malgascarense por Doudou Tovoarimino, à Kabossy (bandolim malgascarense) por Clément Randrianantoandro e nas percussões por Gustavo Ovalles, o grupo instala uma atmosfera cálida e explosiva que não deixa ninguém indiferente e onde cada um reencontra as suas raízes.

Justin Vali quer fazer descobrir a originalidade e a riqueza da música malgascarense através das suas próprias composições. Trata-se de uma formação acústica onde se misturam talento e forma numa movimentação infernal!

Justin Vali já editou três álbuns. O seu último disco com o quarteto, “My Marina”, foi editado por REALWORLD em Fevereiro de 1993. Participou na gravação de diversos álbuns, particularmente no de Kate Bush, “Red Shoes”, e deu numerosos concertos em todo o mundo, como por exemplo nos festivais WOMAD e WOODSTOCK 94.

Vahila: Instrumento nacional malgascarense que se encontra em toda a ilha. Harpa tubular em bambu cujas cordas são extraídas da própria fibra; este instrumento com as unhas. encontra as suas raízes no sudoeste da Ásia. O Vahila era sobretudo utilizado nas cortes reais dos Altos Planaltos. Toca-se com os dedos ou dedilhando as cordas.

 

Hotel Quinta das Lágrimas

31 de Outubro de 1997, 21.45: Paulo Vaz de Carvalho (Portugal) + Janita Salomé (Portugal)

Paulo Vaz de Carvalho

Iniciou o estudo de Guitarra como autodidacta em Vila Real. A par do curso de Direito que concluiu em 1981, frequentou cursos livres com Fernando Lencart, Dogoberto Linhares, Piñero Nagy e Alberto Ponce.

Como bolseiro do Ministério da Cultura frequentou a classe de Guitarra do Prof. Luize Walker na Academia Superior de Música de Viena, vindo a continuar os seus estudos em Paris sob a orientação particular de Roberto Aussel. Conclui o Curso Superior de Guitarra com a mais alta classificação na Escola Nacional de Música de Aulnay. Continuou a sua formação em cursos livres de Russel, Diaz, Cotsiolis, Ragossnig, Zapka, Brouwer, entre outros.
Concluiu em 1993 o Curso de Mestrado em Ciências Musicais da Universidade de Coimbra com o trabalho “António da Silva Leite, aspectos seleccionados da vida e obra”.

Tem-se apresentado em programas musicais de Rádio e Televisão e em temporadas da Fundação Calouste Gulbenkian, Secretaria de Estado da Cultura, Fundação de Serralves, Festival de Guitarra de Aveiro, Semana de Guitarra de Lisboa e nas edições de 1996 e 1997 do Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso. Tem participado na divulgação de obras de Cândido Lima, Lopes Graça e Vitorino de Almeida, de quem estreou a Fantasia Concertante para Guitarra e Orquestra com a Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção de Miguel Graça Moura.

Exerce actividade docente na Licenciatura em Ensino da Música da Universidade de Aveiro e colabora no CIFOP de Vila Real.

 

Café Santa Cruz

1 de Novembro de 1997, 21.45: Grupo Realejo (Portugal)

O Grupo Realejo foi criado por Fernando Meireles em 1990. É constituído por Fernando Meireles (sanfonas, bandolim, cavaquinho, ponteira e percurssões), Amadeu Magalhães (gaita de foles, flautas, ponteira, concertina, braguesa, bandolim e cavaquinho), Miguel Areia (violino), Ofélia Ribeiro (violoncelo) e José Nunes (violas e bandolim). O Realejo dedica-se à interpretação de música das tradições europeias (a partir da Idade Média), com especial incidência na música para sanfona, instrumento que havia desaparecido completamente em Portugal durante o século XIX.

As sanfonas, concertina, bandolins, cavaquinhos, guitarra e viola braguesa tocados pelo grupo foram construídos por Fernando Meireles. As sanfonas foram feitas a partir de figuras de presépios portugueses dos séculos XVII e XVIII.

Em 1995, o Realejo gravou e editou o seu primeiro CD que tem por título “Sanfonia”, através da editora Movieplay. Em Março de 1997, através da mesma editora, gravou o seu segundo CD que tem por título “Cenários”.

Em Julho de 1997 o Realejo foi um dos grupos convidados a participar nos Rencontres Internacionales de Luthiers et Maîtres Sonneurs de Saint Chartier, tendo sido a primeira vez que um grupo português esteve presente neste Santuário das Músicas do Mundo.

 

Teatro Académico de Gil Vicente

4 de Novembro de 1997, 21.45: Aziza Mustafa Zadeh (Azerbeijão) + Frifot (Suécia)

Aziza Mustafa Zadeh

Tudo começou em 1991, com o seu álbum “Aziza Mustafa Zadeh”, gravado pouco depois de ter estabelecido residência em Mainz.
A sua produção seguinte, “Always”, gravada em 1993, com acompanhamentos de Chick Corea, John Patitucci (baixo) e Dave Weckl (bateria), ganhou reconhecimento internacional junto com o prémio Echo e o prémio de Jazz da German Phono Association.

Em “Dance of Fire”, uniu-se à equipa americana de Jazz de mais alta qualidade. Alguns dos músicos com quem se pode ouvir neste álbum são: a lenda da guitarra Al Di Meola, o mestre do baixo Stanley Clarke, a bateria de “Weather Report” Omar Hakim e a estrela do saxofone Bill Evans.

Agora em “Seventh Truth” (produzido pela própria artista nos Bauer Studios em Ludwigsburg), a pianista e cantora Aziza Mustafa Zadeh redescobre e celebra as suas qualidades como solista, recreando as explosões musicais que regularmente transformam a sua vida em acontecimentos excepcionais e euforicamente famosos.

“Isto é tudo o que sou. Isto é a minha própria música”, diz a jovem à qual se chamou amiúde “a Princesa do Jazz do Oriente”. Se o que ela toca é realmente Jazz, é algo a que nunca deu importância. Para ela o Jazz, Folk e a Música Clássica são simplesmente categorias que não se separam. Ela notabiliza-se nos três tipos de música. O que ela evita é que a restrinjam a uma forma ou género musical.

A sua formação como pianista clássica no Conservatório de Baku, o seu amor ao Jazz, a sua inclinação para o canto e os sons tradicionais do Azerbeijão: tudo isto ela combina para formar um estilo de música cheio de abandono e hesitação entre Oriente e Ocidente. “Tudo é música. Tudo é uma só forma”, diz.

A maior parte da sua inspiração, diz Aziza, vem de seu pai, o pianista de Jazz Vajif Mustafa Zadeh, que morreu tragicamente em 1979. Em cada album e em cada concerto dedica uma canção à sua memória..

Em “Seventh Truth”, Aziza Mustafa Zadeh liberta-se da rigidez do conjunto musical, demonstrando um estilo muito pessoal, misturando, por exemplo, em “Aj Dilber”, o seu piano Jazz, uma passagem coral cantada por ela ao estilo de Bach e as vibrantes vozes da música Folk do Azerbeijão. Aqui ela tem o subtil apoio do percussionista índio Ramesh Shotam, que se pode ouvir em três canções deste disco, e pela primeira vez, Aziza Mustafa Zadeh toca congas.

Alegria e sensibilidade, temperamento, talento e uma actuação excepcionalmente brilhante são os ingredientes que se encontram neste trabalho.
Como Al Di Meola disse no ano passado: “Aziza é tão brilhante como compositora como o é como pianista”.

Frifot

Frifot reúne três dos mais distintos personagens da cena da cultura popular Sueca, todos eles com raízes profundas na tradição popular. O grupo foi formado em 1987 e desde então, graças às suas bem sucedidas digressões, tanto pela Suécia, como pelo mundo fora, têm vindo a ganhar, mesmo fora dos círculos usuais de apreciadores de música tradicional, um grupo vasto de seguidores.

Juntos criam uma poderosa música contemporânea, a qual dá vida às velhas tradições, sem deixar de perder contacto com a forma de pensar, sentir e de exprimir dos nossos dias.

Lena Willemark (Voz e violino): Traz consigo da sua terra natal, em Älvdalen, no norte de Dalarna, uma arca do tesouro repleta de melodias e cantigas magníficas, que ela interpreta, não só como violinista, mas acima de tudo como uma distinta cantora de música tradicional. O seu encontro com a tradição Jazz tem levado a sua música a atravessar vários caminhos diferentes. Alguns dos mais importantes músicos da cena Jazz sueca têm sido levados a produzir em colaboração com Lena Willemark, a qual tem sempre como ponto de referência a música tradicional, trabalhos verdadeiramente inspiradores. Lena tem conseguido assim criar formas que não irão ser sujeitas, nem restringidas, a rótulos de estilo ou género.

Per Gudmundson (Violino e gaita de foles): Com a sua poderosa e poética interpretação das melodias tradicionais, tornou-se, e é reconhecido como tal, o melhor violinista sueco. A sua escola musical e fonte de inspiração é a tradição de violinos de Rättvik, que confere a cor caracter’stica da linguagem e tonalidade da sua música, não só em palco, durante um concerto, como também acompanhando uma dança. Per Gudmundson levou igualmente a cabo contribuições valiosas para o renascimento da gaita de foles.

Ale Möller (Bandola, címbalo, flautas, etc.): Dominando na perfeição vários instrumentos, conseguiu encontrar o caminho de volta à música tradicional sueca, seguindo, para isso, muitos trajectos tortuosos. Ele tornou-se assim, numa das maiores fontes de inspiração, na busca de novos sons e expressões na música tradicional. Colaborando de perto com velhos tocadores tradicionais de violino, trouxe instrumentos novos à música tradicional e tornou-se, ao mesmo tempo, um perito em instrumentos tradicionais antigos.

5 de Novembro de 1997, 21.45: Cormac Breathnach’s & Paul McSherry (Irlanda) + Ricardo Rocha / João Paulo Esteves (Portugal)

Cormac Breathnach’s

É o mais famoso e o mais virtuoso tocador de flauta e de “whistle” que ao promover a fusão da música jazz e folk no grupo Deisel, deslumbrou a europa durante a sua digressão.

Actualmente cada um dos elementos do grupo está envolvido em projectos pessoais um dos quais é desenvolvido por Cormac em parceria com Paul Mcsherry, o jovem guitarrista mais popular do panorama artístico irlandês.

Cormac Breatnach toca “whistle” hà mais de trinta anos. Nascido em Dublin no seio de uma família meio irlandesa meio espanhola, foi criado com paixão pela música tradicional irlandesa e respeito pela música de outras culturas. Actuou regularmente com Christy More, Elvis Costello e Donal Lunny de cuja banda foi membro regular nos anos oitenta. Tambem participou e muitos programas de TV para entrega de prémios no sul da Irlanda.

Descrito pela US Irish Voice, em outubro de 1994, como “The fresh prince of jazz jigs”,o modo como Cormac toca “whistle” é imediatamente reconhecido pelo seu balanço e caracteristico estilo de jazz.

Cormac já actuou na Austria, Inglaterra, Escócia, Finlandia, Alemanha, Dinamarca, Estónia, Fraça, Suiça, Polónia e nos Açores. Será a segunda vez que actua em Portugal.

Paul McSherry

É um dos muitos músicos talentosos de Belfast. Os seus irmãos e irmãs são todos músicos e cantores altamente qualificados, e ele toca actualmente no grupo Tamalin com três deles, tendo tido uma enorme projecção na imprensa da música Pop.

Toca guitarra desde os 14 anos, tendo sido solicitado para acompanhar músicos como Liam O’Flynn, Paddy Glackin, Paddy Keenan e Tommy Peoples.Foi tambem convidado por Brian Kennedy e Tommy Makem, todos gigantes do panorama musical irlandês. É membro fundador da Loose Connections, um grupo que actualmente tem feito nome com o cantor Niamh Parsons com numerosas digressões pela Europa e Austrália.

Juntos, os estilos interligam-se e conjugam numa harmonia perfeita interpretando magistralmente e surpreendentemente algumas das mais belas melodias.

Ricardo Rocha

Nasceu em Lisboa em 1974. Começou muito cedo a tocar guitarra portuguesa e por volta dos quatorze anos inicia a actividade de acompanhante de fado.

Com o grupo Kyrie principia a explorar novos caminhos para o seu instrumento. Nesta via tem colaborado com diversos músicos nacionais e estrangeiros como: João Paulo Esteves da Silva, Mário Laginha, Maria João, Ralph Tourner, entre outros…

Gravou recentemente o disco Luz Destino para a editora M. A. Recordings.

João Paulo Esteves da Silva

Nasceu em Lisboa em 1961. Começou muito cedo a estudar piano.

Em 1984, obtido o diploma do curso superior de piano do Conservatório Nacional, partiu para França com uma bolsa de estudo do governo português. Permaneceu em França durante oito anos.

A sua actividade de músico profissional tem sido repartida, paralelamente, por vários campos: música clássica, compositor e improvisador de jazz e música portuguesa de raíz tradicional.

Em 1995 gravou o seu primeiro disco Serra sem Fim pela editora Farol e gravou Almas e Danças em colaboração com Mário Laginha.

Começou a gravar para a editora americana M. A. Recordings em 1996 Luz Destino no qual contou com Ricardo Rocha, Maria Ana Bobone e Mário Franco…” Uma afirmação intrigante, moderna e única da aproximação de quatro jovens músicos portugueses à sua herança musical”.

Em 1997 efectuou uma digressão ao Japão, com o seu quarteto, onde realizou vários concertos.Prepara actualmente o seu segundo disco.

 

7 de Novembro de 1997, 21.45: Carmen Linares (Espanha)

Herdeira da arte tradicional flamenca, conquistou por mérito próprio um lugar privilegiado entre os artistas do canto actuais e está considerada como uma das figuras de topo em toda a Europa ocidental.

“Esta jovem mulher parece viver no quarto onde dorme a grandeza do canto…”. Sempre com um acento pessoal, interpreta uma extensíssima gama, desde os cantos mais festivos aos definitivamente melancólicos, revelando uma grande força e segurança nas actuações ao vivo e triunfando clamorosamente nos seus registos em disco e televisão. Pelos seus conhecimentos da difícil arte flamenca e a extensão antológica do seu repertório pode dizer-se que estamos perante uma cantora enciclopédica; no entanto, o seu trabalho reflecte ainda uma forte componente criativa e o prémio Icaro, obtido em 1988, é a prova de que a opinião pública reconhece e louva esse seu esforço de constante inovação.

“A sua arte é estudo, entrega, autenticidade e verdade. Profunda nas vivencias e nas emoções. Possui sensibilidade e força expressiva. É uma enciclopédia viva que encerra abundantes arquivos de estilos e de formas. Autentica antologia, é uma das maiores e mais completas cantoras da actualidade.”

Dotada de uma voz flamenca de notável extensão, rica e emotiva, um infalível sentido de ritmo e uma afinação precisa e segura, tudo isto aliado ao facto de estar no mundo do espectáculo desde os 14 anos, faz com que as actuações desta intérprete espanhola constituam um acontecimento inesquecível.

“Carmen encontra-se num momento brilhante da sua carreira,que a levou com passo firme a colocar-se no topo do canto feminino actual.”

 

14 de Novembro de 1997, 21.45: Hermeto Pascoal (Brasil)

Nascido a 22 de Junho de 1936, Hermeto Pascoal, Alagoano de Lagoa da Canoa, (então município de Arapiraca), ainda criança descobria o seu dom musical ouvindo os sons da natureza que o cercava. Fazia pequenas flautas de talo de mamona e gostava de ir a casa de seu avô, que era ferreiro, só para escutar o som do martelo batendo nos ferros, que para ele já era pura música. Começara a formar-se então, um dos maiores talentos musicais de todos os tempos.

Aos oito anos de idade, recebeu do pai o seu primeiro instrumento, um harmónio de oito baixos, com o qual tocava em bailes e festas na sua cidade e arredores. Aos catorze anos, foi para Recife em busca de novos horizontes. Lá trabalhou como acordeonista nas rádios Tamandare e Jornal do Comercio. Passou também por Caruaru e João Pessoa.

Em 1959, mudou-se para o Rio de Janeiro, trabalhando na Rádio Maua e no Regional do Pernanbuco do Pandeiro como acordeonista. Tocou também no conjunto do violinista Fafa Lemos e com o maestro Copinha. Do Rio de Janeiro foi para S. Paulo, onde morou durante vinte anos. Tocou em diversas boates como pianista e nesta mesma época começou também a tocar flauta. Tocou nos grupos “Sambrasa Trio”, “Som Quatro” e também no lendário “quarteto Novo”, um marco na música mundial.

No início dos anos Setenta, já conhecido como compositor e multinstrumentista, vai para os EUA, gravar o seu primeiro trabalho a solo, com a participação de uma orquestra composta por vários nomes famosos no cenário musical internacional.

Em 1972, formou no Brasil o seu próprio grupo que como uma escola, formaria grandes músicos de renome tanto no Brasil como no exterior.
Gravou o seu primeiro trabalho no Brasil intitulado “A Música Livre de Hermeto Pascoal”.

Em 1976, volta aos EUA, e grava “Slaves Mass”, com músicos brasileiros e americanos.
De volta ao Brasil, retoma o trabalho com o seu grupo e grava, em 1978, o disco”Zabumbe-bum-a”.

Em 1979, abre definitivamente as portas para o exterior ao participar no Festival de Jazz em Montreaux, Suiça, fazendo uma apresentação antológica, transformada em disco. Desde então Hermeto, juntamente com o seu grupo, faz digressões regulares ao exterior, passando pelos quatro cantos do mundo. Mostrando a sua versatilidade como músico e universalizando a linguagem musical sem rótulos e preconceitos, Hermeto começa a escrever peças para Orquestras Sinfónicas. Escreveu “Berlim e Sua Gente”, na mesma cidade, durante o festival “Horizonte”, em 1982. A peça foi tocada pela Orquestra da Rádio Riass no Filarmonic Hall. Escreveu também a “Sinfonia em Quadrinhos”, dedicada à Orquestra Sinfónica Jovem de S. Paulo, que a tocou.

A “Suite Pixitotinha” foi levada à Dinamarca e tocada pela Orquestra da Rádio de Kopenhagen.

Hermeto participou em todos os concertos como solista e multinstrumentista.

Em 1994, fez parte de um projecto que reuniu no mesmo palco o seu grupo e uma Big Band formada com a nata do Jazz britânico, reunindo ao todo vinte e três músicos no palco. Esse projecto correu várias cidades Inglesas e do País de Gales, recebendo, onde foi apresentado, os maiores elogios da crítica e do público. O jornal inglês “The Guardian” considerou a performace apresentada no Queen Elizabeth Hall, em Londres, como o maior concerto da década.

Esse Alagoano, cidadão do mundo, brasileiro, universal, continua firme na sua trajectória, compondo e tocando por esse Brasil e Mundo fora com o seu Grupo, Orquestras, ou solo, encantando todas as plateias por onde passa, com a sua música livre, inovadora, revolucionária, moderna e cada vez mais Universal, como ele sempre fez questão de frisar.

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